Como já publicado em outros artigos aqui do blog, a personalidade é a essência do indivíduo, formada na infância e geralmente constante ao longo da vida. Já o comportamento é aprendido e desenvolvido no decorrer da vida a cada novo desafio, recusa, acerto e erro. Em suma, o comportamento tem mais espaço de ajuste e evolução do que a personalidade.
O mais importante está no que o Instituto Gallup descobriu há alguns anos sobre onde está o maior espaço de evolução. Quando existe um comportamento desejado, se ele faz parte da personalidade, seu potencial de desenvolvimento é 11 vezes maior do que o aprendizado contrário à natureza do indivíduo. Ou seja, mapear comportamento aprendido para ver se a pessoa “dá conta do recado” pouco dá atenção ao quanto o “dar conta” acontece aos trancos e barrancos. Entretanto, ao mapear a personalidade, se consegue saber exatamente até onde a pessoa consegue chegar com elegância na ação, a chamada zona de flow.
Avaliação de perfil
A avaliação de perfil é primordialmente feita como parte complementar de processos de seleção e alocação de equipes. Usualmente, existe um “perfil desejado” e cada avaliado é comparado a esse ideal, chegando assim a um nível maior ou menor de aderência.
Infelizmente, nem todo teste de perfil funciona, muito menos faz aquilo que promete fazer. Existem cuidados básicos para garantir a funcionalidade do teste de perfil. Sem isso, a chance de avaliar metros e descobrir que a medida está em pés, distorcendo todos os resultados, pode ser imensa.
Uma pessoa pode apresentar um bom desempenho mesmo quando seu perfil não corresponde ao perfil desejado?
Sim. O comportamento aprendido pode permitir que uma pessoa atenda às exigências de uma função, mesmo quando determinadas características não fazem parte de sua personalidade. A questão é avaliar quanto esforço essa adaptação exige e se existe potencial para sustentar esse comportamento.
Qual é o risco de usar uma ferramenta de avaliação de perfil inadequada?
Uma ferramenta inadequada pode gerar resultados distorcidos e levar a decisões equivocadas sobre seleção, alocação ou desenvolvimento de profissionais. Por isso, é importante verificar se o instrumento realmente mede aquilo que se propõe a avaliar.
Avaliação de perfil serve apenas para processos seletivos?
Não. Embora seja bastante utilizada em seleção e alocação de equipes, a avaliação também pode apoiar decisões relacionadas ao desenvolvimento, potencial e adequação de profissionais a diferentes desafios.
É melhor avaliar personalidade ou comportamento?
Depende do objetivo da avaliação. O comportamento pode ser desenvolvido e ajustado, enquanto a personalidade tende a ser mais estável. Avaliar a personalidade pode ajudar a entender quais comportamentos têm maior potencial de serem desenvolvidos de forma natural e sustentável.
Como saber se uma avaliação de perfil é confiável?
É importante verificar se a ferramenta possui fundamentos que sustentem suas medições, se existe clareza sobre aquilo que ela avalia e se seus resultados são adequados para a decisão que se pretende tomar.
AUTORA [Maria Candida Baumer de Azevedo]
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.