[ Demissão e cultura organizacional, causa e consequência ]
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No primeiro artigo dessa série, sobre as 3 alavancas de mudança de cultura, trouxemos, em primeiro lugar, uma visão geral de acordo com cada um dos processos chave. Depois, detalhamos a alavanca de seleção e, em seguida, a alavanca de promoção. Agora, finalmente vamos aprofundar na relação entre demissão e a cultura organizacional.
Sumário
Demissão e Cultura organizacional, o que tem a ver?
Vamos começar essa conversa falando de tolerância. O que sua empresa nunca tolera, nem uma única vez, sem exceção? Esses casos são os mais fáceis de identificar e ver se a cultura é homogênea naquela característica. Logo que acontece, a demissão é imediata e a mensagem é captada claramente por todos em volta.
O que tolera às vezes, mais ou menos, ‘depende de quem fizer’, vai gerando uma porção de incoerências, inconsistências e heterogeneidade em um lugar onde essa diversidade não é bem-vinda. Empresas precisam de diversidade de pensamento, de opinião, de capacidade, habilidade, conhecimento, experiência, formação, base social cultural e ideológica. No entanto, diversidade de certo e errado, definitivamente isso não.
Só para exemplificar, vamos fazer um paralelo com paternidade e maternidade. Dá para ser pai e corrigir seu filho só às vezes? Dá para chamar atenção quando ele xinga alguém ou chuta um animal só no fim de semana? Na empresa é a mesma coisa.
Já o ferimento de um valor jamais dá pra ser ‘passado um pano’, colocando embaixo do tapete. Com o filho, estamos em processo de formação do caráter, formação de valores, portanto a demissão não existe. Já com um profissional, quando se fere um valor, valor de verdade, a demissão é o caminho. Isso deixa claro aos demais o que pode e o que é inadmissível. Sobretudo, dá segurança de ação e de comportamento para quem fica.
Imagem 1 – Demissão e cultura organizacional, causa e consequência
Olhando para a demissão
Se você estiver se remexendo na cadeira agora, certamente surgiu uma questão do tipo ‘tem um valor na minha empresa que fazemos assim mesmo: se deixar de cumprir é demissão. Mas tem valor que damos uma chance, mandamos o cara para fazer treinamento’. E agora?
Provavelmente sua empresa se enquadra nos casos em que valores e competências se confundem. Quando um ‘valor’ pode ser treinado, avaliado em feedbacks, desenvolvido em coaching e mentoria, talvez ele não seja um valor — e sim uma competência desejada que recebeu o nome errado. Pode ser uma boa hora para revisitar e separar uma coisa da outra!
Vídeo 1 – Diagnóstico de Cultura Organizacional por Maria Candida Baumer de Azevedo
Quer aprofundar sua reflexão?
Faça uma mesa redonda sobre esse tema na sua empresa. Envolva líderes de diferentes áreas e peça que cada um traga seus casos de demissão. Em seguida peça que cada um traga os casos de ferimento de valor cujo profissional segue na empresa. Por fim, decidam juntos como seguir. Melhor manter o valor e fazer valer na prática ou mudar o valor?
Publicado em Julho de 2019. Revisto e ampliado em Junho de 2025.
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.