[Home > Blog > Autoconhecimento, modismo ou necessidade?]
Quando algo aparece de forma repentina e se repete, vem a pulga atrás da orelha: isso importa ou temos mais um exemplo de modismo que já passa? O tema apresenta uma crescente suave e constante nas pesquisas do Google desde 2011. Então autoconhecimento veio pra ficar ou se trata de um tema passageiro?
Para responder a essa pergunta, vamos dar um passo atrás e entender primeiro alguns aspectos sobre a trajetória da humanidade em relação a ciência do eu.
Sumário
Quando saímos da barra da saia e viramos alguém individual
A estimativa é que o homem habita a terra há 300 mil anos. Mas foi só no final do século XIX que o ser humano começou a ser visto como indivíduo independente e dono da própria experiência. Até então ele era dependente do senhor feudal de quem era vassalo e resignado as decisões que vinham deste. Estamos falando de um nível de entendimento de si como ser independente de apenas de pouco mais de 100, 120 anos. O que são 120 anos? Pensando na existência da humanidade, muito pouco.
A ciência do eu é o que chamamos de psicologia. Quando ela nasce como ciência damos os primeiros passos em direção ao entendimento da psique. Em seguida, a evolução tecnológica aplicada a saúde, mais especificamente os exames de tomografia e ressonância , abrem as portas para entendermos o funcionamento do cérebro, ora desmistificando crenças e ora confirmando.
Já ouviu falar ‘vou dormir em cima disso e depois falamos a respeito’? Isso era dito como expressão corriqueira, mas sem base cientifica. A partir de 1980 com o entendimento do papel do sono, indo além de um fator de recarga física das energias mas também como momento de assimilação, digestão e processamento do dia a dia, a frase singela se mostrou cheia de inteligência.
Surgimento dos testes psicológicos
A psicometria, é um ramo especializado da psicologia que se dedica ao estudo e elaboração dos testes de avaliação psicológicae ao desenvolvimento e aplicação dos conhecimentos estatísticos e de outros processos matemáticos à psicologia, também é recente. Usar ela para mapear a personalidade, mais ainda. As primeiras publicações datam de 1921. Se você está lendo isso do alto dos seus 50 anos, concorda que é tudo muito recente. Se está lendo do começo dos seus 20 anos, ouvir esse ano vem acompanhado de um cheiro de naftalina. A perspectiva de velho e novo, antigo e moderno muda bastante conforme a quilometragem do leitor.
Uma vez que essa mudança de perspectiva acontece, saindo do modo de sobrevivência para a abundância, do buscar proteção para evolução como ser capaz e independente, diminui o nível de riqueza global e de sofrimento do homem. O trabalho mecânico, repetitivo, o apertar botão sem usar o cérebro é automatizado, sobra tempo e paz de espírito, respiro, para começar a indagar sobre questões mais sofisticadas da existência humana. Uma vez que o comer, dormir, morar, pagar as contas está resolvido, seguro, estável, indagações de uma natureza mais sútil ganham espaço. Os antigos diziam ‘fulano tá com uma conversa estranha, precisa arrumar o que fazer’.
A conversa estranha tem a ver com esses temas menos fundamentais para a sobrevivência, reflexões existenciais, um ‘papo mais filosófico’. Voltando ao título, a menos que o ser humano regrida no seu nível de consciência (que cresce 4% a cada década – Livro Reinventando as organizações – Frederick Laloux), a importância do autoconhecimento de fato veio para ficar. Ela faz parte do processo natural de evolução da humanidade.
Qual a importância do autoconhecimento para o ser humano?
Começando do final, o autoconhecimento tem uma relação direta com felicidade, satisfação e plenitude. Quando você toma conhecimento de algo, se dá conta da importância, dificilmente se ‘destoma’. Uma vez que você sabe que consumir refrigerante faz mal à saúde, você não deixa de saber. Se mesmo sabendo disso, você segue consumindo, começa um processo de consciência sobre sua conduta, seus hábitos, sua força de vontade, nível de disciplina.
Quando alguém tem um bom nível de autoconhecimento e entende a relação entre respeitar sua essência e se sentir feliz muda sua forma de tomar decisões. Passa a fazer (ou deveria) escolhas que respeitem sua personalidade, valores, sonhos, prioridades e contexto de vida. O baixo nível de autoconsciência faz com que a pessoa aceite oportunidades com base na sorte, vivendo o ‘tomara que dê certo’. Sem plantio não tem colheita. Plantando laranja vai dar banana?
O que fazer para ter autoconhecimento?
Existem múltiplas formas de ampliar o autoconhecimento. As mais conhecidas e comprovadas são:
Mapeamento de Personalidade – com uma ferramenta séria, profunda, não manipulável.
Terapia – existem muitas linhas, veja aquela com a qual você se identifica e procure até achar um profissional que faça sentido pra você, se um amigo acha um profissional ótimo, não quer dizer que será ótimo pra você.
Pedido de feedback – o olhar para si pode ser muito mais exigente ou permissivo do que a referência externa, ter uma rotina de pedir feedback, especialmente para quem traz exemplos concretos e traz boas provocações vale ouro.
Momentos ou rotinas de introspecção – é o momento do calar a fala para ouvir a mente, do silenciar os pensamentos para organizar.
Constelação familiar sistêmica – essa técnica acessa bloqueios inconscientes, traz para o consciente e resolve a causa. Atenção aqui, a constelação ganhou muitos adeptos recentemente tendo tanto bons quanto maus profissionais. Só faça com alguém realmente bem-preparado e só escolha a versão em grupo se você se sente tranquilo em expor sua vida livremente, caso contrário, o formato individual sai ganhando.
Sugestões adicionais para conhecer a si mesmo
Se você gosta de investir no seu autoconhecimento, na ampliação do seu nível de consciência, seja para você, seu time ou sua empresa, algumas outras técnicas podem ajudar:
Identificação e prática de um hobby – enquanto o stress aumenta o nível de cortisol, que pode causar problemas de saúde, como ansiedade, Síndrome de Cushing, funcionamento anormal do organismo, fadigas em excesso, aumento do peso, pressão alta, perda muscular, alterações no apetite, mudanças no ciclo menstrual, baixa imunidade e aumento de inflamações, fazer o que se ama produz a endorfina (que atua como analgésicos naturais do corpo). Liberado pelo hipotálamo e pela glândula pituitária em resposta à dor ou ao estresse, esse grupo de hormônios peptídicos alivia a dor e cria uma sensação geral de bem-estar.
Yogaterapia– usando um conjunto de técnicas (posturas, sons, respirações, relaxamento e meditação), ela trabalha os aspectos físico, mental, emocional e energético do praticante, reduzindo estresse e ansiedade, melhorando desempenho cognitivo, concentração e criatividade.
Tethahealing– Trata-se de uma técnica de meditação que promete autoconhecimento a partir da ressignificação de crenças e paradigmas, com um olhar amoroso sobre a própria trajetória.
Quer ir além?
Utilizamos o L.A.B.E.L., teste psicométrico de uso exclusivo para o universo corporativo, como base para o trabalho de aumento do nível do autoconhecimento, e como guia para a tomada de decisão na vida profissional.
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.