[ Redes de relacionamento: sociabilidade vs. altruísmo ]
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Construir bons laços no ambiente corporativo sempre foi visto como sinônimo de engajamento e colaboração. No entanto, o quarto e último recorte da edição de 2025 do Observatório de Liderança da People & Results trouxe uma constatação interessante: hoje, grande parte da alta liderança é, por personalidade, menos preocupada em manter e nutrir redes de relacionamento. O que isso significa?
Quando trazemos isso para a realidade das empresas, a energia gasta por cada indivíduo na construção dessas conexões revela, dentro de sua própria diversidade, certos padrões de acordo com o nível hierárquico. Longe de ser apenas um comportamento adaptado às exigências do nosso tempo, a forma espontânea de iniciar e gerenciar as relações faz parte do que é natural e demanda menos esforço para cada um, e isso o nosso estudo pôde explorar na natureza de quem está base vs. na de quem chega ao topo.
Sumário
Sociabilidade vs. altruísmo: como medir?
Para entender essa dinâmica, a pesquisa cruzou dois traços de personalidade mapeados pela ferramenta suíça L.A.B.E.L., com uma amostra de mais de 3.000 profissionais: a facilidade de iniciar novas conexões (sociabilidade) e a dedicação emocional em cuidar das conexões já existentes (altruísmo).
Os resultados nos mostraram configurações distintas. Existe o grupo de profissionais que se engaja em ambas as frentes, investindo energia tanto para criar novos vínculos quanto para manter os atuais. Em outros predomina a abertura, conectando-se facilmente com desconhecidos, mas prestando pouca atenção à manutenção dessas relações. Há também aqueles que se apegam mais aos vínculos que já possuem, demonstrando pouco interesse em iniciar novas interações. E, na outra ponta, um perfil que dificilmente direciona sua energia para a criação ou para a nutrição contínua dos laços sociais.
Como os profissionais gerenciam suas redes de relacionamento
Ao analisarmos a estrutura das organizações, os dados apontaram variações de acordo com a cadeira ocupada. A base da pirâmide, por exemplo, compõe um maior nível de profissionais que iniciam e mantêm relações (Especialistas 50%; Analistas 45%) e tendem a formar e cuidar da sua rede de relacionamento com maior dedicação. Em degraus mais altos, a maior fatia da alta gestão, composta por 44% dos Empresários e Diretores, tem um perfil desinteressado em ambas as esferas.
O gráfico abaixo evidencia os resultados:
Imagem 1 – Estudo Conexão Humana People & Results
Os dados refletem uma característica estrutural das cadeiras de comando. Executivos que ditam os rumos do negócio frequentemente precisam lidar com decisões duras e imparciais. Nesse nível de complexidade, o distanciamento afetivo mantém o líder em posição de neutralidade, colocando-o em situações em que o contato ocorre por necessidade funcional, sem a exigência de manutenção emocional constante.
Redes de relacionamento x Potencial de Liderança
Diante desse cenário, isolamos apenas os profissionais em posições de gestão (caindo para uma amostra de 1.485 indivíduos) para cruzar a sua natureza de interesse social para criar redes de relacionamento com seu potencial de liderança, com o objetivo de observar como essa tendência se comportava. O resultado desse cruzamento é revelado no gráfico abaixo:
Imagem 2 – Potencial de Liderança x Conexão Humana
Isso traz uma constatação valiosa sobre a natureza das interações sociais nas lideranças. Entre os líderes classificados com bom potencial, 62% são desinteressados em ambas as frentes, sem necessidade espontânea de iniciar ou manter vínculos. Quando olhamos para a amostra geral, o interesse voltado exclusivamente para a manutenção das relações (altruísmo) despenca para 1% entre todos os profissionais com algum potencial de liderança.
Esse recorte do estudo nos mostra que líderes tendem, por natureza, a serem menos altruístas. Além disso, quando possuem algum interesse social, essa energia costuma se concentrar mais na abertura (sociabilidade), fazendo-os transitar com facilidade por agendas de networking e iniciar interações para fortalecer as suas redes de relacionamento, e menos na nutrição contínua e afetiva das conexões já existentes.
Por se tratar de um traço de personalidade, entende-se que a facilidade natural do líder com potencial está em abrir portas e oxigenar oportunidades, ao invés de em investir tempo em agendas que para ele têm menos valor e exigem alto nível de agradabilidade.
Aprendendo a nadar a favor da correnteza
Tentar agir contra um traço da própria natureza tende a causar grande desgaste emocional e, por isso, seja o seu perfil mais sociável, altruísta, ou ambos, buscar ter clareza sobre a sua personalidade e essência no trabalho e na vida pessoal é tão necessário para construir uma jornada mais leve.
Compreender o seu nível real de interesse pelas conexões e como você tende a construir suas redes de relacionamento permitirá maior foco na consolidação de times verdadeiramente complementares, onde diferentes perfis se equilibram e se apoiam. O mapeamento de perfil pode ser seu maior aliado para traduzir matematicamente como o seu modo espontâneo opera e te ajudar nesse caminho.
Entenda como o L.A.B.E.L. pode te ajudar a conhecer a fundo a sua personalidade e te apoiar em decisões estratégicas, guiar transições de carreira e garantir que você ocupe espaços onde as suas características naturais sejam um facilitador.
Psicóloga pelo Mackenzie, com experiência em treinamento e desenvolvimento de pessoas. Foco em capacitação e desenvolvimento de metodologias e materiais didáticos.