[ Recompensa tradicional x ágil, o que muda na prática? ]
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A gestão de pessoas ágil difere certamente da tradicional na forma de selecionar, avaliar e desenvolver pessoas. Da mesma forma, tratando-se de uma decisão estratégica e não puramente de RH, a recompensa tradicional apresenta diferenças importantes da ágil.
Definir como uma organização remunera e reconhece suas pessoas é uma das escolhas estratégicas mais relevantes que ela faz. Trata-se menos de recursos financeiros e mais de um mecanismo que orienta comportamentos, impacta a cultura e materializa, no cotidiano, aquilo que a estratégia propõe.
A recompensa acontece de forma privada e às vezes até velada.
A recompensa acontece publicamente e seus motivos são escancarados.
Reconhece-se principalmente resultados.
Reconhece-se prioritariamente comportamentos.
Distribuição de salários é percebida como injusta.
Justiça, antes de tudo, é o aspecto mais importante.
Equipes e indivíduos não são envolvidos na definição dos salários.
Times e indivíduos podem de fato definir os próprios salários.
Salários são secretos, por isso é informação confidencial.
Salários podem ser transparentes, ou seja, de conhecimento público.
O bônus é calculado por performance, criando um efeito sandbag*, assim a pessoa se sente no direito de receber.
Divisão de lucro e recompensa financeira são primordialmente desconectados das conversas de feedback.
Os valores e tempos de recompensa e reconhecimento acontecem de acordo com o planejamento e orçamento.
A evolução considera a comparação com o período anterior, pois planejamentos são feitos para ciclos curtos, mensais ou no máximo trimestrais.
ADAPTADO DE Thoren, Pia-Maria. Agile People: A Radical Approach for HR & Managers. Lioncrest Publishing, 2017.
*O efeito sandbagda remuneração variável tradicional. Surpreendentemente, quando o bônus está atrelado a metas, definidas em cima de planejamento de longo prazo, o foco do profissional deixa de ser “o que faz mais sentido para a empresa naquele momento” e passa a ser “o que vou fazer para garantir o meu bônus”. Assim, a energia é direcionada para frentes que pouco atendem ao que o negócio realmente precisa e, portanto, o risco é minimizado, assim como os esforços.
Publicado em Julho de 2019. Atualizado em Março de 2026.
AUTORA [Maria Candida Baumer de Azevedo]
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.