[Home > Blog > Quanto custa uma contratação errada?]
Um levantamento recente da Robert Half mostra que mais da metade dos líderes brasileiros já admite ter feito pelo menos uma contratação equivocada nos últimos anos. Antes de qualquer coisa, uma pergunta direta: você sabe, na ponta do lápis, quanto custa uma contratação errada para a sua empresa? Para responder isso com números reais, longe do achismo, primeiro é preciso entender quanto custa contratar alguém, mesmo quando o processo dá certo.
Sumário
As variáveis que compõem o custo de contratação
Pense numa vaga recorrente e essencial para o negócio, como a de analista de exportação em uma agência de comércio exterior. Os custos diretos de contratação envolvem recrutar, selecionar, integrar e treinar a pessoa nova até que ela chegue à plena produtividade.
Só que existe uma camada de custo que quase sempre escapa da planilha: os custos indiretos. Aqui entram as horas extras de quem cobre as atividades críticas enquanto a posição fica vaga, a receita que deixa de entrar direta e indiretamente nesse período, o tempo (e o salário correspondente) de quem interrompe a própria rotina para ensinar o recém chegado, além da remuneração paga a essa pessoa sem a contrapartida integral do trabalho entregue.
Juntando tudo isso, pensando na vaga de analista, a conta fica assim:
Premissas
Valor
Encargos
Salário mensal bruto da posição
R$ 3.500
R$ 3.150
Posição requer consultoria de recrutamento?
Sim
Quantidade média de candidatos entrevistados por processo seletivo
6
Tempo médio de cada entrevista em horas
1
Salário do analista de R&S
R$ 4.000
R$ 3.600
Salário do líder (gestor direto da posição)
R$ 8.000
R$ 7.200
Salário do gestor (gestor indireto da posição)
R$ 11.000
R$ 9.900
Hora do entrevistador (média do valor da hora dos entrevistadores, RH, líder, gestor)
R$ 43,56
R$ 39,20
Quantidade de horas extras de 1 pessoa da equipe (10% de horas adicionais)
17,6
Valor gasto mensalmente em horas extras de alguém com cargo equivalente
R$ 525,00
R$ 144,38
Período de aprendizado até que a pessoa esteja produtiva (em meses)
3
O custo de contratação na ponta do lápis
Com base nessas premissas, o resultado é este:
Valor
Encargos
Taxa da consultoria externa de R&S (10% do salário anual, considerando 13 salários)
R$ 4.550
Valor investido em entrevistas
R$ 261,36
R$ 235,23
Remuneração total enquanto o novo contratado estiver improdutivo (por estar aprendendo), salário mais encargos mais benefícios
R$ 10.500
R$ 9.450
Integração e treinamento (valor das horas de gestão do gerente)
R$ 24.000
R$ 21.600
Produção perdida em termos de receita para a empresa
R$ –
Investimento em treinamentos formais
R$ –
Total
R$ 39.836,36
R$ 31.429,60
Total (valores mais encargos)
R$ 71.265,97
Dividir pelo salário bruto mensal da posição
20,4
Portanto, ao contratar a pessoa certa, o valor investido desde a abertura da vaga até a pessoa alcançar total produtividade soma 20 salários da posição. É dinheiro de verdade saindo do caixa antes mesmo de o cargo dar qualquer retorno.
Quanto custa uma contratação errada, de fato?
Ao contratar errado, é preciso refazer o processo inteiro do zero. Na prática, isso dobra o investimento: 40,8 salários da posição, só para chegar de volta ao ponto de partida. É um ralo enorme de tempo, energia e dinheiro, e a Robert Half chega a uma conclusão parecida por outro caminho: estima que uma contratação malfeita custa em torno de 30% dos ganhos potenciais do primeiro ano da pessoa contratada, e essa é só a fatia visível do problema.
Use esse mesmo raciocínio para calcular o custo de contratação errada de uma posição de grande volume de contratação na sua empresa. Multiplique pelo número de vagas abertas por ano e descubra o tamanho real do rombo.
O erro está no currículo ou no encaixe cultural?
Boa parte da contratação errada nasce muito antes da entrevista técnica. O currículo perfeito garante competência no papel, mas garante muito pouco sobre como essa pessoa vai se comportar dentro da cultura real da empresa, e é exatamente aí que o encaixe desanda. Um bom match entre empresa e candidato depende de critérios que vão muito além do currículo, e é isso que separa uma contratação que dá certo de uma que vira estatística.
Quando o processo seletivo ignora esse encaixe, o resultado é a mesma estatística que abre este texto: mais da metade dos líderes brasileiros reconhecendo, depois do fato, que erraram a mão na contratação.
Como reduzir esse custo na prática
A boa notícia é que o valor gasto com uma contratação errada tem caminho de redução, e ele começa antes de qualquer entrevista. Alguns pontos concretos para revisar já no próximo processo seletivo:
Descreva o que a posição precisa entregar em resultado, e só depois o perfil de currículo esperado, invertendo a ordem tradicional do anúncio de vaga.
Inclua ao menos uma etapa que avalie encaixe com a cultura vigente, além da competência técnica pura.
Estruture o processo de integração formal do recém-contratado desde o primeiro dia, em vez de deixar essa etapa acontecer de forma improvisada.
Meça o tempo real até a plena produtividade e compare com a estimativa inicial, para calibrar o próximo processo com dado real da sua empresa.
Cada um desses pontos ataca diretamente uma das variáveis da conta que você acabou de ver: menos retrabalho no processo seletivo, integração mais rápida e times mais estáveis, o que reduz tanto os custos diretos quanto os indiretos de uma tacada só.
Quer aprofundar? Acesse o e-book ‘Contratando a pessoa certa’ e reúna mais repertório para acertar na hora de trazer um novo candidato para dentro de casa. Se o gargalo da sua empresa for justamente esse descompasso entre currículo e cultura, o Diagnóstico de Cultura da People & Results mapeia esse encaixe antes que ele vire prejuízo. E, para fechar o raciocínio, entre os vários processos de gestão de pessoas, qual será o mais importante de todos? Confira aqui!
Publicado em Junho de 2020. Atualizado em Setembro de 2026.
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.