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Objetivo profissional de verdade, por que ter um?

Para os mais novos, a busca por um trabalho que tenha um objetivo profissional, ou seja, um propósito é motivo para trocar de emprego, até mesmo ganhando menos. Enquanto isso, as gerações mais maduras, assistem perplexas a esse fenômeno. Seria frescura? Para responder a essa pergunta, a história dos últimos 85 anos precisa ser lembrada.

Objetivo profissional: Voltando ao passado

Na pré-revolução industrial a produção era basicamente local, familiar, manual. O pai ensinava ao filho seu ofício, passado os macetes e meandros de geração em geração. A mobilidade acontecia majoritariamente como fuga da guerra ou da fome. A falta do trabalho colocava em risco a própria sobrevivência.

Acelerando o filme até 1950, quando tem início a terceira Revolução Industrial , há a ampliação da produção em escala e reforço da especialização do trabalho. Já em uma lógica menos artesanal e mais ‘padrão x empregado’, esse trabalhador, atuando lado a lado com o fundador, assistia em primeira mão a concepção de um legado.

Além do aspecto financeiro, o profissional estava materializando do zero a causa do líder. O que fez com que a empresa entrasse em um ou outro mercado – seja uma perda, dor, necessidade, descontentamento, frustração ou oportunidade desatendida era nítido, sem maiores palestras ou campanhas de comunicação. Era na interação do dia a dia que ele aprendia a forma certa de conduzir e o que era inegociável.

Avançando um pouco mais, chegamos em 2020 com uma expectativa de vida de 75 anos, era de 52 em 1960. Nesse intervalo, as empresas que seguiram no mercado tiveram em suas operações em torno de 4 gerações.

A mudança de geração foi planejada em alguns casos, deixando claro para cada recém-chegado as bases do negócio, os valores inegociáveis, o legado a ser honrado, mantido e ampliado. Usando do papel das lendas, mitos e histórias, mantiveram a essência da cultura e longevidade da causa, através de seus centros de memória. Mas nem todas as empresas se atentaram para isso. E nessas, enquanto a geração que conviveu lado a lado com o fundador, em um mundo com níveis de fome, mortalidade infantil, guerra e desigualdade muito superior ao que temos atualmente carregava a clareza do que movia a empresa, os que vieram depois embarcavam em mais um emprego.

Objetivo profissional de verdade, por que ter?
Imagem 1: Evolução da liderança

Objetivo profissional nas gerações Z e Alpha

E agora? Há uma série de variáveis em ação:

  • Os cursos de graduação são tão variados quanto as espécies de peixes no mar;
  • Educação continuada e mudança de carreira ao longo da vida se tornaram algo natural e até valorizado;
  • Ser multifunção se sobrepõe cada vez mais ao mono tema;
  • A criação das crianças baseada no medo (só do pai olhar, o filho já treme) tem sido substituída pelo diálogo em família;  
  • Os pais, antes majoritariamente provedores, têm se tornado mais ativos e participativos no dia a dia da criação dos filhos;
  • Poder trabalhar de qualquer lugar em um universo muito maior de empresas quando se tem competência amplia fronteiras;
  • Com a automação do apertar botão, o valor passou para o intelecto, com isso os profissionais conscientemente bons, na guerra por talentos são disputados a tapa, dando a eles na balança da negociação por remuneração e correlatos, uma força até então inexistente;
  • Pelo trabalho mais intelectual e menos braçal, vem a necessidade de pensar e não mais do puro obedecer, atentas a isso, as escolas de negócio e programas de desenvolvimento de times incentivam uma postura de mais iniciativa, protagonismo, autorresponsabilidade; autodesenvolvimento e autoconhecimento. Por consequência há uma redução do espaço de manobra ou enganação em curso.

As novas gerações possuem objetivo profissional?

Aliado as questões do bloco anterior, ainda que existam problemas sociais e oportunidades de evolução constante (ainda bem!) o mundo de fato tem se tornado um lugar melhor.

No passado o objetivo da empresa, usando outros termos e com um vocabulário menos sofisticado, seria explicado pelos pais à mesa durante as refeições. Em uma realidade muito mais complexa e consciente do que importa de fato na vida, começamos a entender a ânsia desse jovem por perguntar sobre propósito na entrevista de emprego. Se ele terá a resiliência necessária para enfrentar as agruras, perrengues e frustrações, ai são outros quinhentos.

Toda empresa (há exceções?) nasce com uma missão insurgente, uma causa maior. E essa causa move multidões. Se a causa real é unicamente colocar dinheiro no bolso, mesmo que não só do acionista, a busca por algo com mais sentido acaba sendo natural, quando vive-se um momento histórico de menos sofrimento quando colocado em uma perspectiva histórica de mais longo prazo.

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Vídeo 1 – Orientação de Carreira para Executivos

Publicado em Agosto de 2024 com a colaboração de Daniela Nieri.

AUTORA [Maria Candida Baumer de Azevedo]
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.
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