Potencial é relativo a potência, indica capacidade latente, aptidão iminente, talento futuro disponível a ser explorado. Sua existência varia conforme o objetivo: enquanto alguém muito criativo tem alto potencial para trabalhar com criação publicitária, por exemplo, uma pessoa metódica e extremamente disciplinada tem dificuldade nesse mesmo terreno, e carrega, em compensação, alto potencial para uma carreira em logística.
A personalidade é formada na primeira infância, até os 2, 7 ou 14 anos, dependendo da linha de pesquisa. De acordo com Holland, ela é fruto da genética, das experiências nessa fase da vida e da influência das figuras parentais. Em síntese, o importante é que na vida adulta a personalidade já está formada. E uma vez formada, exceto em casos de trauma, a personalidade permanece a mesma.
O que muda, isso sim, são os comportamentos, que vamos adaptando ao longo da vida para conviver melhor em sociedade. Quando isso significa ajustar a nossa natureza, interpretamos personagens. Fazer isso durante meia hora por dia pode ser fácil, especialmente quando existe um objetivo por trás. O problema começa quando a interpretação dura o dia todo. O ser humano é inteligente e aprende, mas sustentar a encenação requer um nível altíssimo de energia. Ao buscar ser outra pessoa, termina-se o dia exausto e infeliz.
Ler sobre potencial é fácil, difícil é virar o espelho para a própria trajetória. Antes de decidir a próxima promoção da equipe, ou de aceitar a próxima que te oferecerem, vale a pergunta que fecha esse raciocínio: você já parou para assumir o protagonismo da sua carreira, ou vai continuar deixando alguém decidir o seu potencial de desempenho no seu lugar?
Publicado em Julho de 2019. Atualizado em Setembro de 2026.
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.