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[ O Futuro do Trabalho: qual é a tendência? ]

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Quase um em cada três brasileiros ocupados atua hoje numa função que a inteligência artificial já é capaz de transformar. O dado é da FGV IBRE e ajuda a explicar por que o futuro do trabalho deixou de ser um exercício de futurologia para virar pauta fixa de reunião de diretoria. Em 2019, quando a pesquisa internacional intitulada “Futuro do Trabalho: como a onipresença da tecnologia está despertando valores humanos na relação com trabalho” foi publicada, a pergunta ainda soava distante: será o fim dos trabalhos tradicionais? Como a educação se adequa a uma realidade em que as formas de trabalho já eram diferentes? Onde ficam as competências humanas nesse cenário?

A resposta chegou, só que travestida de IA generativa, trabalho híbrido e uma geração inteira que nunca bateu ponto. A pesquisa original já partia de uma constatação que segue de pé: a tecnologia e a IA têm capacidade real de substituir posições de trabalho humano, e o excesso desse avanço impacta profissões, relações e educação. A diferença é que, seis anos atrás, isso ainda era hipótese. Hoje é planilha: segundo a FGV IBRE, 29,8 milhões de brasileiros, 30% da população ocupada, já trabalham em funções expostas à IA generativa, quase o dobro da fatia medida uma década antes. Prioridades mudaram, e isso afeta o futuro do trabalho todos os dias, dentro do escritório e fora dele.

A pesquisa original aprofundava a análise a partir de temas como o consumidor, a educação, a academia, as carreiras, o workspace, a remuneração e o futuro. Seis anos depois, cada um desses pontos ganhou dado novo, a começar pelas carreiras.

Vamos falar mais sobre carreiras

Para entender o futuro do trabalho, precisamos falar sobre a mudança que os millennials fizeram ao entrar no mercado, e que a Geração Z aprofundou nos últimos anos. A busca por propósito, bem-estar e flexibilidade são as prioridades dessas gerações, e as próximas devem abrir ainda mais espaço para atividades on demand.

A previsão de 2019 apontava que, até 2020, 40% dos trabalhadores americanos seriam freelancers. O número ficou longe da conta exata, mas acertou a direção: cada vez mais gente troca o contrato tradicional pela autonomia para escolher aquele job, e isso vira regra, cada vez menos exceção. Abre-se uma forma de contrato bem diferente do trabalho tradicional (das 8h às 18h), com entregas negociadas em vez de horário cravado, e são as próprias empresas que vêm correndo atrás desse desenho.

Millennials querem testar o novo

futuro do trabalho: jovens conversam em ambiente descontraído
Imagem 1 – Jovens querem testar o novo.

Ficar num só lugar pode significar limitação para as experiências que essa geração quer viver, então eles vão mudar de empresa ainda mais rápido. Cresceram vendo os pais em jornadas fulltime e perceberam a falta de conciliação entre vida pessoal e profissional. Eles querem virar esse jogo.

Buscam ponderação do tempo em suas vidas, e atuar como freelancer os deixa ainda mais livres. Quantas pessoas você conhece, pode ser até de uma geração atrás, que estão infelizes no trabalho ou a ponto de um burnout, porque a conta entre as duas coisas nunca fechou?

Nos EUA, plataformas de talentos online, como LinkedIn e TaskRabbit, já ajudam profissionais a se conectarem com vagas que casam com suas habilidades e perfil. Os profissionais ganham com isso, porque passam a trabalhar para diferentes empresas sem ficarem presos a nenhuma delas.

O trabalho remoto é outro tópico que a pesquisa original já apontava como tendência, e a pandemia acelerou isso de um jeito que nenhuma projeção de 2019 previu. Hoje, segundo pesquisa da McKinsey em parceria com a FGV, 73% das empresas brasileiras já implementaram algum modelo de trabalho híbrido, com projeção de chegar a 85% até 2027. O desafio deixou de ser “permitir” o remoto e virou outro: só 31% das empresas consideram essa transição totalmente bem-sucedida, o que mostra que gerenciar equipes espalhadas segue sendo um ponto de atenção real para quem lidera.

Vale perguntar se a cultura no home office desapareceu ou só mudou de forma, ponto que a P&R já detalhou de perto.

A tática de conectar o capital humano da empresa ao seu propósito e objetivos segue sendo uma reflexão central para o futuro. Nos Estados Unidos, dois terços dos CEOs dizem que planejam dedicar mais atenção ao desenvolvimento do fluxo de talentos e aos futuros líderes de sua organização, e 78% espera mudanças na forma como a empresa administra talentos no futuro próximo.

IA generativa é o novo divisor do futuro do trabalho

Se em 2019 a preocupação era a uberização e o trabalho sob demanda, hoje o centro do debate é outro: o que a IA generativa consegue fazer sozinha, e o que ainda depende de julgamento humano. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 170 milhões de novas vagas devem surgir até 2030 e 92 milhões devem desaparecer, um crescimento líquido de 78 milhões de postos, puxado por tecnologia, economia, demografia e transição energética.

O ponto mais provocador desse relatório é onde o impacto pesa mais: o centro de gravidade saiu da tarefa repetitiva de linha de produção e foi parar em funções criativas, como design, redação, marketing e RH, redesenhadas junto com a rotina operacional. Isso reforça um ponto que a P&R já vem defendendo: apoiar-se na IA sem deixar o próprio pensamento crítico enferrujar é o que separa quem cresce de quem estagna, e terceirizar o raciocínio para a máquina custa caro para a carreira. Reskilling e upskilling deixaram de ser jargão de RH e viraram sobrevivência de carreira, na prática.

Empatia

Para os millennials, as pessoas estão em primeiro lugar, e esse é um dos traços que mais os destacam das demais gerações. Os valores pessoais e morais influenciam muito as decisões dessa geração. Com isso, a cultura que deixa de colocar em prática os valores estampados na parede está fora da lista.

Eles acreditam que as empresas devem se desenvolver a partir de uma causa, em vez de pensar somente no lucro. Isso muda também a forma como enxergam a ascensão de carreira. Eles querem oportunidades de aprendizado, o que se conecta com suas necessidades de novas experiências, feedbacks e mentorias, para que o crescimento seja mais rápido.

Vale a pena questionar se a idade é mesmo fator limitante para aprender rápido, porque cada vez mais empresas descobrem, tarde, que tratá-la assim trava o próprio time.

Muitas coisas vão mudar, ou já estão mudando nessa nova geração. Por isso, nós, como líderes, RH e provocadores, devemos dar atenção a essa questão dentro da empresa.

Quer conhecer os outros aspectos dessa pesquisa original? Então é só entrar no site: https://www.futurodotrabalho.com

Vídeo 1 – Diagnóstico de cultura organizacional, por Maria Candida Baumer de Azevedo.

Entender o futuro do trabalho é só metade da equação. Saber se a cultura da sua empresa está pronta para essa transformação é a outra metade, e é exatamente isso que o Diagnóstico de Cultura da People & Results revela: mapeia onde a cultura real trava, ou impulsiona, a adaptação da sua empresa às mudanças que já estão em curso. Fale com a gente.

Publicado em Julho de 2019. Atualizado em Setembro de 2026.

AUTORA [People & Results ]
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