[ Metodologia de diagnóstico de cultura organizacional, qual usar? ]
[Home > Blog > Metodologia de diagnóstico de cultura organizacional, qual usar?]
Existem empresas que só se dão conta da importância de gerir a cultura quando o barco está afundando. Como a mudança de cultura leva pelo menos 5 anos para o novo paradigma entrar no sangue de verdade, pode ser tarde demais. Esse longo período mostra a importância de um olhar preventivo.
Pensando na cultura como um jardim, é preciso acompanhar o todo para, em seguida, analisar de perto os matinhos que crescem aqui e ali. Trata-se da diferença entre arrancar rápido ou ir deixando até virar um matagal, com uma manutenção impossível de ser feita.
No momento em que a organização entende a importância de mapear a cultura vigente, surgem alguns dilemas: fazer isso internamente ou contratar um especialista externo? Qual metodologia de diagnóstico de cultura utilizar? Qual é o norte a ser considerado como critério?
Sumário
Quem deve mapear a cultura da organização?
O profissional interno: os atrativos
A escolha de um profissional interno traz o benefício da velocidade. Ao saber quem é quem, o calendário interno, a melhor época do ano para aplicação, o acesso fácil à gestão das agendas e a aparente clareza do que olhar podem tornar tudo mais rápido. O investimento financeiro tende a ser menor, por se tratar de um custo já pago pelo time do dia a dia.
O risco do olhar de dentro
Um profissional interno, ainda que tecnicamente versado em gestão de cultura e com ferramental robusto de diagnóstico, apresenta desvantagens relacionadas a seletividade, parcialidade e profundidade. Uma vez que ele já é parte da organização, seus óculos já estão embaçados.
A cultura é algo invisível, o caldo ou cola que nos envolve sem nos darmos conta. Como disse José Saramago: “É preciso sair da ilha para enxergá-la.” O mesmo acontece aqui.
O olhar externo, quando competente, enxerga complexidade e interdependências sutis e fundamentais. Ele deve ser fresco, imparcial e sem seletividade. Os maiores perigos do olhar interno são:
Distorções feitas em nome da manutenção do próprio emprego, com vista grossa para vícios terríveis ao futuro da organização, e isso acontece tanto de forma consciente quanto inconsciente.
O critério usado para o julgamento: as preferências pessoais ou o politicamente correto, em vez da estratégia de longo prazo.
E aqui entra o segundo dilema: qual metodologia de diagnóstico de cultura utilizar?
Qual metodologia de diagnóstico de cultura utilizar?
Desde que a temática de cultura organizacional começou a ser pesquisada e publicada, com Edgar Schein em 1984, o número de autores se multiplicou, assim como as formas de classificar uma cultura. Existem modelos relacionados aos elementos a serem observados, tipologias, arquétipos ou simples classificações por semelhança.
O mais desavisado vai se deparar com diversos modelos, acreditar que se trata de coisas muito distintas e que quanto mais recente a publicação, mais “certa” é a metodologia de diagnóstico de cultura, como acontece com lançamentos de tecnologia ou descobertas científicas que derrubam o paradigma anterior. Em cultura, os pioneiros Edgar Schein e Geert Hofstedeseguem sendo a base sólida, em cima das quais outros autores criaram suas diferentes máscaras com novos nomes.
O que realmente define a efetividade da mudança
O livro de Barney & al (2023), O Segredo da Mudança de Cultura, mostrou que a diferença entre fracasso e êxito na mudança cultural independe da escolha de um modelo específico. O que conecta os 150 casos estudados é o poder das histórias, vividas e contadas pelos líderes para mostrar o que é desejado e o inaceitável a partir daquele momento de ruptura.
Enquanto o poder das histórias se confirma como duto da virada cultural, existe um ponto fundamental: o critério utilizado para definir o que é saudável ou tóxico. E aqui o gestor de cultura precisa estar muito atento.
Existem modelos que tratam a cultura como algo mensurável por régua única, com diagnóstico feito via questionário padrão. Essa abordagem é adequada para o clima organizacional, e insuficiente para a cultura.
Clima organizacional
Cultura organizacional
O que é?
Estado momentâneo do ambiente
Personalidade da organização
Como se mede?
Bom ou ruim, com parâmetros claros
Saudável ou tóxica em relação à estratégia
É copiável?
Sim
A única vantagem competitiva sustentável, inimitável
A cultura de comando e controle, excelente para um contexto estatal e super regulado, funciona como obstáculo intransponível em uma estratégia de serviço ao cliente em um contexto de livre concorrência.
Vídeo 1 – Por que alguns Diagnósticos de Cultura são ineficazes?
O modelo de Diagnóstico de Cultura Barrett funciona? É bom?
Se você entende um pouco de estratégia, já sabe a resposta com base no parágrafo anterior, mas ainda assim vale o alerta. No Método Barrett, o trabalho é feito perguntando sobre os valores do indivíduo e da empresa, e na diferença se estabelece o gap a ser trabalhado. Essa metodologia de diagnóstico de cultura possui um erro fundamental de norte: quem disse que o que as pessoas são ou gostariam de ser é o mais apropriado para o futuro do negócio?
A metodologia, como elemento de julgamento sobre cada elemento da cultura, precisa ser cuidadosamente escolhida. A cadeia lógica é simples:
Toda empresa só existe se houver um mercado.
Quando o mercado muda e a empresa permanece estática, ela fica para trá, reflexo trivial da lei da oferta e demanda.
Para atender a esse mercado, a empresa define uma hipótese, o caminho que ela assume como ideal para ganhar o jogo que escolheu jogar.
A partir da clareza de quem a empresa serve e como ela serve, é definida a sua estratégia.
Isso significa que a cultura precisa servir a estratégia. O que é muito diferente de fazer um diagnóstico de cultura deixando a estratégia à margem, como se fossem água e azeite. É exatamente isso que as metodologias essencialmente quantitativas, entre elas a metodologia de diagnóstico de cultura Barrett, fazem.
Diagnóstico de Cultura com a People & Results
A metodologia de diagnóstico de cultura que utilizamos combina três bases complementares:
O modelo de camadas ampliado de Hofstede.
As 6 dimensões do mesmo autor.
As 8 dimensões de Erin Meyer, adaptadas para organizações.
Nosso diferencial está na mensuração da capacidade de virada de cada executivo. O quanto cada um será capaz de fazer a mudança acontecer. Clique aqui para saber mais!
Vídeo 2 – Diagnóstico de Cultura Organizacional por Maria Candida Baumer de Azevedo
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.