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[ Como fazer o mapeamento da Cultura Organizacional? ]

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Entendido o conceito do que é cultura organizacional, como ela se forma e o papel das subculturas, é hora então de saber como fazer o mapeamento da cultura da empresa. É portanto mapeando que se consegue saber se a cultura vigente está alinhada a estratégia.

De quem deve ser a condução do diagnóstico

Quem deve fazer o mapeamento da cultura organizacional, membros internos ou externos à organização?

Dificuldades da condução por membros internos

Crenças e valores que, por um longo tempo, não foram violados nem desafiados podem se tornar tão acreditados, sem serem questionados, que passam a ser absorvidos inconscientemente por quem trabalha na empresa (Deshpande e Parasuraman, 1986). Por isso, a percepção dos membros internos pode ser seletiva e a identificação dos elementos culturais ficar incompleta. O uso da cultura de uma organização por seus membros acontece de modo natural, espontâneo e quase inconsciente, quem atua na empresa pode perceber a cultura apenas parcialmente, muito pela existência de regras imperceptíveis. Em suma, quem trabalha na empresa pouco têm consciência do seu conteúdo ou de sua estrutura, mesmo quando usam ou vivem nesses limites. Por isso uma pessoa externa à organização terá capacidade superior para avaliar com abrangência a totalidade da cultura (Lucas, 1987). Entretanto esse caminho tem suas questões…

Dificuldades da condução por membros externos

Ao mesmo tempo, que o membro interno enfrenta o risco de pontos de sombra, miopias, colocar alguém externo à organização para mapear a cultura pode ser difícil. Isso acontece pois o entendimento da cultura demanda tempo, é um processo lento. Os componentes da cultura organizacional, incluindo valores, símbolos e crenças, são tão difíceis de mudar propositadamente quanto de descrever (Smircich, 1983). Assim, pode não ser possível para indivíduos de fora, só por observar a cultura organizacional, descrever o valor que ela adiciona à empresa (Lippman & Rumelt, 1982 apud Barney, 1985).

Os autores concordam sobre as dificuldades enfrentadas tanto por quem é externo quanto interno a empresa, e também que é possível mapear uma cultura organizacional. Aqui mora então a importância da escolha da metodologia.

CULTURA MEMBROS INTERNOS X EXTERNOS
TABELA 1 – DIFICULDADE DA CONDUÇÃO DO DIAGNÓSTICO DA CULTURA POR MEMBROS INTERNOS E EXTERNOS.

Como fazer o mapeamento da cultura organizacional, cuidados e metodologias

Existem diversos modelos conceituais disponíveis. Muitos deles têm embasamento acadêmico e foram objeto de estudo publicados em journals internacionais respeitados. Outros modelos pertencem a consultorias especializadas e portanto seu uso está vinculado ao pagamento de royalties. Conhecendo os diversos modelos conceituais você consegue escolher o que faz mais sentido para sua empresa. Seja qual for a metodologia escolhida, é preciso que se tenha cuidado e íntima convivência, para que a real cultura seja identificada (Wilkins e Ouchi, 1983).

Para começar, é preciso entender a diferença entre arcabouços ou componentes culturais e tipologias. Enquanto arcabouços culturais são os elementos que cada autor diz formar a cultura organizacional (os elementos, componentes que serão observados), a tipologia indica o estilo dela, ao que se dá mais atenção. Só para exemplificar, em uma casa seus cômodos formam o arcabouço. Já, se a casa é dá mais ênfase ao lazer, cultura, gastronomia ou esporte é sua tipologia. Sendo assim, uma boa metodologia utiliza um modelo de componentes e dimensões embasados por teoria comprovada.

Mapeamento da Cultura Organizacional – Qualitativo x Quantitativo

Desconfie de propostas de mapeamento de cultura que começam com algum instrumento quantitativo. Sendo a cultura única, a vantagem competitiva sustentável da empresa, como então é possível, sem ter conhecido de perto o DNA organizacional, ter um questionário padrão (ou customizado) que sirva a qualquer organização? Isso é totalmente factível quando o assunto é clima, que pode ser bom ou ruim. Já a cultura passa longe de um frame fechado e ideal, já que sua desejabilidade vai variar de acordo com o contexto do mercado x a estratégia de longo prazo da empresa para fazer frente a ele.

Diagnóstico de fato começa com observação de espaços e momentos chave, entrevistas em profundidade e grupos focais. É assim que se consegue falar em “criar intimidade” com a empresa, para então identificar sua essência, tangibilizar sua subjetividade.

Uma etapa quantitativa, depois que o qualitativo foi muito bem feito, pode ser adicionado para identificar o grau de penetração ou dispersão cultural.

Dispersão ou penetração cultural

É quando se mede o grau de permeabilidade das características da cultura na organização para saber o quanto a cultura é forte ou fraca, homogênea ou não. Calori e Sarnin (1991) medem assim a força da cultura organizacional em duas dimensões: homogeneidade das respostas de seus membros e intensidade da cultura (alta intensidade significa que alguns valores emergem como sendo distintivas características da companhia). Usando o conceito de penetração cultural de Louis (1985), Saffold (1988) divide assim a penetração em quatro aspectos:

  • Sociológica, onde se mede o grau de compartilhamento de manifestações culturais entre os diferentes grupos ou subculturas, tanto horizontal quanto verticalmente;
  • Psicológica, quando os valores, significados e pressupostos da cultura são profundamente internalizados pelos membros da organização ou subcultura;
  • Histórica, quando um paradigma cultural particular permanece estável por um longo período de tempo e o quão fielmente este é transmitido às gerações subsequentes;
  • Simbólica, quando elementos intangíveis da cultural tornam-se visíveis através de artefatos concretos como a estrutura organizacional, políticas, rituais de socialização, ritos comportamentais e slogans.

Além disso, o autor utiliza um segundo grupo de indicadores de impacto cultural para identificar a potência da cultura. Assim ele julga o poder do paradigma cultural como influenciador do comportamento. São eles:

  • Coerência elementar – a coerência entre os elementos culturais;
  • Potência de símbolos – a facilidade com que os símbolos são capazes de mobilizar emoções e lealdade;
  • Adequação da estratégia – compatibilidade da cultura com as habilidades internas e demandas externas;
  • Aloplasticidade cultural – sua capacidade rápida de adaptação sem traumas, aumentando seu desempenho. Culturas mais rígidas sofrem devido à falta de habilidade para competir.
PENETRAÇÃO E POTÊNCIA CULTURAL
FIGURA 1 – DIVISÃO DE PENETRAÇÃO CULTURAL E IDENTIFICAÇÃO DA POTÊNCIA DA CULTURA POR SAFFOLD (1988).

Como definir a amostra a ser ouvida no mapeamento da cultura organizacional

Para que o diagnóstico tenha relevância estatística, é preciso ouvir:

  • Entre 8 e 12% da população organizacional;
  • A amostra precisa ser definida de forma aleatória para eliminar qualquer viés de preferência;
  • A amostra precisa representar fielmente a demografia da empresa. Isso significa que se a empresa tem 30% homens e 70% mulheres, 10% no corporativo e 90% na operação, a amostra deve ter a mesma proporção. Isso vale para gênero, localidade, área, cargo e tempo de casa.

A duração do mapeamento da cultura organizacional

Diagnóstico bem feito e rapidinho, será que existe? Existem versões pocket, com foco em sensibilizar a liderança e levantar alguns pontos mais gritantes. Entretanto, se o foco é fazer um diagnóstico com representatividade estatística, o rapidinho só é possível quando a empresa é pequena e por isso o time é ouvido em poucos dias.

VÍDEO 1 – DIAGNÓSTICO DE CULTURA POCKET

Caso contrário… A conta que fazemos é de 4 entrevistas por dia, 3 focus groups, mais o tempo de observação do calendário chave junto com os tempos de deslocamento. Somado esse tempo, adicionamos 2 horas de análise para cada 1 hora de escuta/observação, ou seja, rapidinho só se for para sensibilizar a liderança e levantar aspectos básicos.

Colocar esse mapeamento em prática pede o mesmo cuidado metodológico defendido neste artigo: escuta qualitativa antes do quantitativo, amostra bem definida, tempo respeitado. É exatamente esse processo que o Diagnóstico de Cultura da People & Results conduz, da observação e das entrevistas em profundidade até a definição de valores com a própria liderança da empresa. Será que sua empresa precisa de um diagnóstico de cultura? Quer estimar qual seria o tempo de duração de um diagnóstico? Nos envie sua demografia que calculamos para você!

Referências Bibliográficas

Barney, Jay B. Organizational culture: can it be a source of sustained competitive advantage? Academy of Management Review, v. 11, n. 3, p.656-665, 1985.

Calori, Roland; Sarnin, Philippe. Corporate culture and economic performance: a French study. Organization Studies, v.12, n.1, p.49-74, 1991.

Saffold, Guy S. Culture traits, strength and organizational performance: moving beyond strong culture. Academy of Management Review, v.13, n.4, p.546-558, 1998.

Schein, Edgar H. Coming to a new awareness of organizational culture. Sloan Management Review, v.25, 2, 1984.

Smircich, Linda. Concepts of Culture and Organizational Analysis. Administrative Science Quarterly, v.28, p.339-358, 1983.

Wilkins, Alan; Dyer, W. Toward culturally sensitive theories of culture change. Academy of Management Review, v.13, i.4, p.522-533, 1988.

Publicado em Maio de 2020. Atualizado em Setembro de 2026.

Qual é a diferença entre mapear a cultura e fazer uma pesquisa de clima?

A pesquisa de clima concentra-se principalmente na percepção das pessoas sobre o ambiente e as práticas atuais. O mapeamento da cultura busca compreender elementos mais profundos, como valores, crenças e pressupostos que influenciam os comportamentos.

Quando uma empresa deveria fazer um mapeamento de cultura?

Especialmente diante de mudanças estratégicas, crescimento, fusões, transformações de negócio ou situações em que existe dificuldade de fazer a estratégia acontecer no comportamento cotidiano.

O mapeamento da cultura deve ouvir apenas a liderança?

Para compreender a cultura vivida, é importante considerar diferentes grupos da organização. A percepção da liderança pode revelar uma parte da realidade, enquanto outras camadas podem vivenciar a cultura de maneira diferente.

O que fazer depois de identificar a cultura atual?

O diagnóstico deve ser comparado à cultura necessária para sustentar a estratégia. A partir dessa diferença, a organização pode definir quais comportamentos, práticas e elementos culturais precisam ser preservados ou transformados.

Uma empresa pode ter culturas diferentes dentro da mesma organização?

Sim. Áreas, unidades e grupos podem desenvolver subculturas próprias. O mapeamento ajuda a identificar essas diferenças e compreender como elas influenciam a estratégia e o funcionamento da organização.

AUTORA [Maria Candida Baumer de Azevedo]
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.
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