[ Cultura no home office: desapareceu ou apenas mudou de forma? ]
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O debate sobre trabalho remoto amadureceu. Depois de anos de experimentação, cada organização encontrou, ou vem encontrando, seu próprio equilíbrio entre os modelos presencial, híbrido e remoto. Mesmo assim, uma dúvida continua presente nas discussões sobre gestão: existe cultura no home office?
Para muitas lideranças, a distância física parece representar uma ameaça à identidade da empresa. Afinal, sem os encontros presenciais, os corredores, o café e as conversas informais, como preservar os valorese comportamentosque tornam uma organização única?
Por aqui nossa explicação preferida é: “cultura é o que as pessoas fazem quando o chefe não está olhando“. Além dessa definição, duas das referências mais respeitadas sobre o tema ajudam a aprofundar o conceito:
“Cultura é o conjunto de pressupostos básicos que um determinado grupo tem inventado, descoberto ou desenvolvido para lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna, e que funcionam suficientemente bem como para ser considerados válidos e ser ensinados aos novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas.” (Schein, 1984)
“Cultura é a programação coletiva da mente que distingue os membros de uma determinada categoria de pessoas das outras.” (Hofstede, 1990)
Fundador: a cultura começa com o fundador, suas experiências e personalidade. Desde o dia um já existe cultura, um jeito de ser e fazer as coisas.
Geografia: o local onde a empresa está instalada, geografia e cultura local influenciam na cultura organizacional.
Clientes: as exigências e necessidades dos públicos influenciam na cultura. A empresa existe para servir o cliente, se o cliente demanda inovação, a cultura deve ser mais inovadora, por exemplo.
Competidores, concorrentes e indústria: o tipo da concorrência vai determinar o nível de agressividade com que a empresa se coloca no mercado e sua dinâmica de atuação. O médico, quando descobre algo novo, compartilha com os demais, mas isso já não acontece quando falamos de startups de tecnologia.
A resposta curta é: sim. A cultura no home office existe da mesma forma que existe no presencial. O que muda são os canais pelos quais ela se manifesta. O erro está em associar cultura exclusivamente à convivência física. Quando uma empresa migra para modelos híbridos ou remotos, alguns elementos tradicionais realmente perdem força.
Entre eles:
Microgestão instantânea;
Símbolos físicos de poder, como: cadeira, mesa, estacionamento e refeitório;
Momentos presenciais de descontração, como: almoço, cafezinho, confraternizações e happy hour;
Agilidade, como perguntar algo para quem está do seu lado e ter a resposta na mesma hora;
Confirmação visual da disponibilidade das pessoas;
Cada um desses elementos culturais possui um significado. A microgestão, por exemplo, reduz a autonomia, inibe a tomada de risco, a ousadia e o pensamento criativo. Símbolos de poder pelo cargo reforçam a hierarquia. Momento de descontração cria um espaço para mais proximidade e desabafo do que – raramente – aparece nas agendas formais. A proximidade física dá espaço para a espontaneidade e sua falta a reduz. Indicar indisponibilidade no status do computador ao mesmo tempo em que bate papo com o colega ao lado é diferente de estar realmente indisponível, o que no virtual é mais difícil de confirmar.
A cultura continua aparecendo diariamente em pequenas decisões e comportamentos. Ela está presente:
Na escolha de manter ou não as câmeras abertas;
Na forma como líderes conduzem reuniões;
No respeito aos horários de trabalho e descanso;
Nos canais de comunicação utilizados;
Nos benefícios oferecidos para o trabalho remoto;
Na flexibilidade dada às diferentes realidades familiares;
Na linguagem adotada pela organização;
Nos eventos virtuais;
Nos processos de reconhecimento;
Na forma como as pessoas colaboram à distância.
Até mesmo a reação de uma liderançaquando uma criança aparece em uma reunião online ou quando alguém precisa reorganizar sua agenda por motivos pessoais comunica valores culturais.
O que continua exatamente igual?
Grande parte dos elementos culturais permanece inalterada. Continuam existindo no virtual:
A cultura nunca esteve apenas nos corredores, no café ou nas salas de reunião. Ela está nos comportamentos que são valorizados, nas decisões que são tomadas e na forma como as pessoas se relacionam. Por isso, a pergunta não deveria ser se existe cultura no home office, mas sim: sua empresa foi capaz de adaptar os mecanismos que sustentam essa cultura para um ambiente virtual?
Quer entender como se manifesta a cultura da sua empresa? Conheça a nossa solução para fazer esse mapeamento a partir de um Diagnóstico de Cultura aprofundado!
Vídeo 1 – Diagnóstico de Cultura Organizacional por Maria Candida Baumer de Azevedo
Publicada em dezembro de 2022. Atualizado em Junho de 2026.
Relações Públicas pela UEL e pós-graduanda em Influência Digital. Atuou com rede de franquias e nos seguimentos de saúde, metalurgia e telecomunicações. Realizando ações de marketing, social media, relacionamento com os públicos, eventos e atendimento.