[ Entrevista por competências: 5 dicas essenciais ]
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Entrevista por competências é um método antigo, testado e ainda extremamente atual. O problema nunca foi o método, foi o uso: por falta de preparo, esse recurso valioso para identificar talentos de verdade acaba mal aplicado ou completamente desperdiçado.
Pergunta aberta x fechada: qual traz mais informação na entrevista por competências?
Quando a pergunta é fechada, as opções de resposta são finitas e específicas. Perguntar se alguém gosta de trabalhar com suprimentos, sendo essa a área da vaga, ou se ele sabe mexer em Excel, é jogar seu tempo fora. O candidato sabe exatamente o que você quer ouvir, e a resposta mais provável é sempre sim, mesmo quando a realidade é outra. Portanto, é tempo perdido.
Projeção x evidências: o jeito de perguntar muda tudo
A pergunta aberta tem uma forma certa de ser feita. A pergunta projetiva é aquela do tipo “o que você faria se…?”. E a resposta que vem é hipotética e cor de rosa: o candidato entrega algo bonito e politicamente correto. Pergunte “o que você faria com um chefe agressivo?” e a resposta provável é algo como “perguntaria como ele prefere que o trabalho seja feito e faria exatamente isso”. Por esse caminho, o jogo é de quem engana melhor!
Primordialmente, a pergunta aberta de verdade busca evidências de comportamento passado. Isso significa pedir exemplos concretos de coisas que a pessoa realmente viveu. Dizer que “teve chefes difíceis e se deu bem com eles” é genérico e pode significar qualquer coisa. Contar sobre a empresa, o contexto do chefe difícil, o episódio específico, a ação tomada para lidar com aquilo e o resultado alcançado em detalhes, isso sim demonstra competência real (ou a falta dela). Essa é a técnica SAR, sigla para Situação, Ação e Resultado, também chamada de STAR quando inclui a etapa de Tarefa. Vale a pena se aprofundar nela!
Imagem 1 – Entrevista por competências em andamento.
Eu x nós: o que fazer com as respostas “a gente”
Ao longo de uma entrevista por competências, é comum ouvir do candidato o “a gente”. “A gente fez isso, a gente fez aquilo.” Nesse momento você tem certeza de que aquela pessoa é incrível, até descobrir, quando ela é colocada na pressão real e nada anda, que na verdade era apoio, e quem brilhava de fato nas soluções era outra pessoa.
Sobretudo, o “a gente” é uma forma de se mostrar colaborativo, de indicar que o trabalho foi entregue por uma equipe, sem parecer individualista demais. Mas para identificar o que foi realmente feito pelo candidato, e o que veio dos colegas ao lado, é preciso perguntar qual foi a contribuição específica dele naquela situação. Esse mesmo cuidado vale para a checagem de referências em profundidade, que precisa ir muito além do clássico “tem algo que o desabone?”.
Evidências contrárias: desvende o candidato perfeito
Se você ouvir um “nunca errei”, isso já é motivo de boas risadas!
Os prolixos: como conduzir quem foge da pergunta
Seu tempo de entrevista, inclusive na entrevista por competências, é curto, e o candidato conta histórias longas, foge da pergunta, dá voltas e… socorro! Ainda que pareça deselegante à primeira vista, combine o jogo antes de começar. Explique que fará perguntas específicas e que vai sinalizar quando a informação já for suficiente para garantir que todos os pontos sejam cobertos dentro do tempo disponível.
Resumo rápido das 5 dicas de entrevista por competências
Dica
Como aplicar na prática
1. Pergunta aberta, sempre
Troque perguntas de sim ou já sabidas por pedidos de exemplos reais
2. Evidências, nunca projeção
Peça fatos do passado, recusando hipóteses do tipo “o que você faria se…”
3. Contribuição individual
Separe o “eu” do “a gente” e vá atrás da parte que coube ao candidato
4. Evidências contrárias
Pergunte também sobre o que deu errado, para equilibrar o quadro
5. Controle do tempo
Combine as regras da conversa antes de começar
Tabela 1 – Resumo das 5 dicas de entrevista por competências.
Aplicar essas 5 dicas na prática ajuda a reduzir as contratações erradas e economizar tempo e dinheiro do processo seletivo.
Quer saber mais?
A entrevista por competências é decisiva, mas ganha ainda mais força quando combinada com uma leitura mais profunda do perfil comportamental do candidato, como o teste psicométrico L.A.B.E.L.. A entrevista revela o que a pessoa fez no passado, o teste revela como ela tende a se comportar daqui para a frente, e a combinação das duas fontes de dado é o que realmente sustenta uma decisão de contratação segura.
Vídeo 1, mapeamento de potencial em seleção.
Montar uma entrevista por competências realmente eficaz exige método e prática constante, e nenhum entrevistador nasce pronto para isso. É treino, repetição e disposição para revisar a própria técnica sempre que um candidato “escapa” de uma pergunta bem feita. Fale com a gente para entender como a People & Results pode apoiar o seu processo de seleção com o Mapeamento de Potencial para Seleção.
Publicado em Fevereiro de 2019. Atualizado em Setembro de 2026.
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.