[ As práticas da cultura alavancam ou bloqueiam a estratégia? ]
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As práticas constituem uma camada transversal do modelo de Geert Hofstede, antropólogo holandês e referência mundial em cultura organizacional. Ele usa essa camada como guarda-chuva para separar o que é visível, símbolos, heróis e rituais, do que é mais profundo e pede mais tempo para se mover: os valores. O visível se ajusta com relativa rapidez. Os valores exigem método e paciência para mudar de verdade.
À distinção entre o tangível e o intangível de Hofstede, somamos mais de 15 anos conduzindo diagnósticos de cultura organizacional para chegar ao que as práticas realmente são. Essa camada reúne todos os critérios ligados à gestão de pessoas, o centro da nossa atuação, porque eles pesam de verdade na permanência ou na saída de cada profissional da empresa.
Esses critérios se materializam por meio de símbolos (a carta de promoção, por exemplo), heróis (o anúncio dos resultados que engrandecem uma pessoa e justificam a promoção) e rituais (o momento em que o promovido é aplaudido como referência diante da empresa inteira). E no que consistem as práticas, então? Aqui estão os critérios concretos que levaram essa pessoa a ser promovida!
O que são práticas da cultura organizacional?
Confira os critérios de gestão de pessoas que compõem essa camada:
CRITÉRIO DE SELEÇÃO: quais são as regras e os requisitos para abrir uma vaga e escolher quem vai ocupar ela? Existem cartas marcadas? Uma formação específica elimina ou garante a vaga de um candidato? Existem comportamentos decisivos numa entrevista, capazes de eliminar alguém na hora?
CRITÉRIO DE DESENVOLVIMENTO: o que faz uma pessoa ser elegível a um programa de coaching, mentoring, treinamento ou missão internacional, enquanto outra pessoa fica de fora?
CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO: o que é dito abertamente numa avaliação, e o que fica só no campo do silêncio, mas pesa do mesmo jeito na decisão?
CRITÉRIO DE RECOMPENSA: o que define de fato a remuneração variável? As regras divulgadas valem exatamente como as regras usadas na prática?
CRITÉRIO DE PROMOÇÃO: o que faz alguém ser promovido? Quando esse critério erra a mão, o custo aparece rápido, e quase nunca entra na planilha do RH.
CRITÉRIO DE SUCESSÃO: o que faz alguém ser visto como sucessor em potencial? Quais são os requisitos inegociáveis, e qual a aderência real entre quem foi promovido recentemente e esses critérios?
Aqui está o elo direto com a estratégia: um plano ambicioso de crescimento, inovação ou eficiência trava toda vez que os critérios reais de seleção, promoção ou desligamento remam para o lado contrário do que a empresa diz perseguir no papel. É a prática do dia a dia, mais do que o discurso, que decide se a estratégia sai do papel e chega ao resultado.
Aprofunde-se nas demais camadas e entenda mais sobre símbolos, heróis, rituais e valores. Práticas são uma forma poderosa de tocar no que importa de verdade para as pessoas. Uma prática isolada muda pouco o ambiente. Um conjunto de práticas alinhadas aos elementos das demais camadas culturais, esse sim, catalisa a mudança.
Leia o artigo sobre os valores em profundidade e trace uma correlação direta entre as práticas e os valores da sua empresa. Onde está a consistência, e onde ela racha?
Se esse retrato te deixou com mais perguntas do que respostas, converse com a gente. O diagnóstico de cultura da People & Results existe exatamente para separar a prática real da prática que só existe no papel.
Publicado em Novembro de 2018. Atualizado em Agosto de 2026.
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.