[ 5 pontos para escolher ferramentas de Mapeamento de Perfil ]
[Home > Blog > 5 pontos para escolher ferramentas de Mapeamento de Perfil]
A cada dia a área de gestão de pessoas tem à sua disposição uma gama crescente de ferramentas de mapeamento de perfil. Elas contribuem para a tomada de decisão na hora de compor o quadro de profissionais em diferentes níveis da companhia. Na crise, desperdícios são evitados.
Escolher a ferramenta de mapeamento de perfil errada vai além do desperdício financeiro, é um erro que se multiplica. Estudos mostram que contratar a pessoa erradacusta em média 18 vezes o salário mensal da posição. Boa parte dessas contratações equivocadas começa antes da entrevista: na escolha de um instrumento que mede algo diferente do necessário, ou que mede bem mas é interpretado de forma incorreta.
A gestão de pessoas conta hoje com uma oferta crescente de ferramentas de mapeamento de perfil. Quantidade e consistência são coisas distintas. Antes de escolher qualquer instrumento, vale entender o que cada um mede, e o que esconde.
Estes são os 5 pontos que fazem diferença na avaliação.
Sumário
1. Comportamento ou personalidade?
A primeira grande distinção está no objeto de análise.
A personalidadeé formada na infância, até os 2, 7 ou 14 anos, dependendo da teoria de referência. Uma vez estabelecida, ela só muda diante de traumas ou impactos muito significativos. É o natural da pessoa: um preditor robusto do que ela faz com menos esforço, mais espontaneidade e melhores resultados. Quando alguém atua dentro do que lhe é natural, o desempenho tende a ser superior, e a satisfação, também.
O comportamento, por outro lado, é moldado pelo contexto e ajustado ao longo do tempo, pode ser aprendido. Mas interpretar constantemente um personagem tem um custo que passa despercebido: desgaste físico e emocional crescente. É como esticar um elástico, vai até certo ponto. Depois, arrebenta. Ao lidar com os desafios mais coerentes com o perfil natural, o potencial de sucesso aumenta.
Existe ainda um fator que complica a leitura: certas características de personalidade mascaram comportamentos. O hiper controle é uma delas. Quando isso é ignorado, a empresa assume como natural uma atitude que exige esforço enorme de alguém, sem que isso seja visível para os demais. Daí surgem os casos onde “tudo parecia ótimo” e a pessoa pede demissão de repente, listando uma série de incômodos jamais mencionados antes.
Das 9 ferramentas mais conhecidas no mercado, 6 mapeiam o comportamento aprendido e 3 mapeiam a personalidade. Numa seleção, o candidato quer mostrar o melhor de si, quem ele aprendeu a ser. Se a ferramenta identifica apenas o comportamento aprendido, o esforço por trás da performance passa em branco. Entre um candidato que entrega com esforço e outro que entrega naturalmente, quem sustenta resultado no longo prazo?
A segunda diferença entre as ferramentas de mapeamento de perfil está no agrupamento das respostas.
Ferramentas de tipo alocam o indivíduo em um polo ou outro, preto ou branco, sem gradação de intensidade. Na dimensão “intuição x razão”, a pessoa é intuitiva ou racional: sem meio-termo.
Ferramentas de traço identificam a intensidade da característica. Existe o preto, o branco e todos os tons de cinza entre eles. Com isso é possível distinguir com precisão duas pessoas alocadas no mesmo “tipo”, diferença que, na prática, pode ser determinante para a função.
3. Resultado bruto ou padronizado?
A terceira distinção está na forma de apresentar os resultados do mapeamento de perfil.
Pense na altura de uma população: o mais baixo tem 1,50 m e o mais alto, 2,05 m. Alguém com 1,55 m é percebido como baixo nesse grupo, esse é o resultado absoluto, o número bruto. Quando os dados são distribuídos na curva normal, os resultados são padronizados: a pessoa com 1,50 m está entre os 2% mais baixos da população. Esse ajuste muda a interpretação completamente.
Para altura, o raciocínio parece óbvio. Para níveis de curiosidade ou capacidade analítica, o esquecimento é frequente, e perigoso. O erro mais comum é interpretar resultados padronizados como se fossem brutos. Como a média varia de uma característica para outra, comparar escalas diferentes como se tivessem a mesma referência gera erros sérios de avaliação.
A quarta distinção está em relação a quem o indivíduo é comparado.
Muitas ferramentas de mapeamento de perfil têm origem em pesquisa clínica, o que significa que a população de referência tem relação reduzida ou inexistente com o ambiente corporativo. Esse detalhe costuma passar em branco na hora da escolha. Ferramentas que comparam o indivíduo com executivos do mercado são mais precisas: elas mensuram o quanto a pessoa tende a se sobressair profissionalmente em relação a quem ocupa papéis similares.
Há ainda outro risco: a veracidade da base de comparação. O respondente pode declarar um cargo diferente do real, ou ser, de fato, presidente de uma empresa com três funcionários. Adicionar esse resultado à média sem verificar a situação real do mapeado distorce a representação de toda a base.
O quinto ponto é sobre a confiabilidade das respostas.
Qualquer pessoa pode tentar influenciar os resultados de um mapeamento, de forma consciente ou inconsciente. Ferramentas sem mecanismos de detecção de inconsistência oferecem uma ilusão de segurança: o dado aparece preciso, mas pode estar contaminado desde o preenchimento.
Índices de controle identificam padrões que indicam tentativa de auto-apresentação excessivamente positiva, respostas aleatórias ou contradições internas. Sem esse mecanismo, a margem de erro da avaliação aumenta, e a confiança em qualquer decisão baseada nela deveria diminuir na mesma proporção.
Conhecer os critérios é o primeiro passo
O segundo é aplicá-los com as ferramentas certas. O L.A.B.E.L. e o Socr@t-s foram desenvolvidos e validados pela People & Results para mapeamento de perfil em contexto corporativo, com os 5 critérios acima como premissa de construção. Para quem quer aplicá-los com precisão técnica na própria equipe, há formações disponíveis para cada ferramenta. Conheça já!
Sócia-fundadora da People & Results. Administradora (UFPR), Mestre em Cultura Organizacional (COPPEAD-UFRJ) e PHD em Carreira (The Netherlands). Mais de 20 anos de experiência, atuou como executiva em grandes empresas, é professora da Fundação Dom Cabral, ESALQ e Insper e mentora do G4 Educação.